Reuniões animais humanos

Em 2014, o ciclo 'Humanos e animais: os limites da humanidade' retorna para abordar alguns aspectos filosóficos do que pode ser chamado de “subjetividade animal”. Você sabe liderar uma reunião? Ao liderar uma reunião, você é avaliado por seus subordinados, pares e superiores, e sua maneira de agir pode contribuir para criar uma imagem de competência e profissionalismo ou destruir sua carreira! Quanto melhor estiver preparado para liderar, mais facilmente atingirá os objetivos da organização e consequentemente seus objetivos pessoais. Desde 1940, 70% das novas doenças que apareceram em humanos tiveram origem nos animais. Quem afirma é a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, em um novo relatório, divulgado esta segunda-feira. Projeto da agência da ONU reúne cientistas para combater a propagação de doenças que podem ser transmitidas de animais para humanos; elas são chamadas de doenças zoonóticas. Edgard Júnior, da ONU News em Nova Iorque. Indagámos uma vez os amigos espirituais sobre o comportamento dos animais. Foi-nos dito que, de facto, eles lá permaneciam para receber as “boas vibrações”.Para eles “nós (os espíritos) somos deuses”, disseram-nos os amigos.Nunca tomámos a iniciativa de afastarmos os gatos pois, por um lado não nos perturbavam, por outro, os espíritos amigos, dirigentes destas reuniões, nunca ... Animais e humanos como ontologias emergentes. Como encarar a dicotomia animalidade e humanidade tendo em vista a crise das práticas e das concepções contemporâneas que recai sobre a oposição – que agora podemos reconhecer como tão marcadamente ocidental – entre a natureza e a cultura? Animais — eternos companheiros do homem. É REALMENTE maravilhoso ver a grande variedade de animais que existe, cada um com características e comportamento bem distintos. Gostar dos animais e se preocupar com eles é um fator que leva muitas pessoas a se sentirem atraídas Àquele que os criou. Foi exatamente isso que aconteceu com Maria. Os humanos são diferentes dos animais. Nós temos uma necessidade espiritual, ou seja, temos a necessidade de saber mais sobre o Criador. Se você escutar a Deus, vai ganhar discernimento, sabedoria e felicidadeJeová cuida dessa necessidade nos dando alimento espiritual por meio da Bíblia e do “escravo fiel e prudente”.Mat. 24:45 Animais + humanos = Uma só saúde Forum Segurança Alimentar Centro de reuniões da FIL 29 Setembro 2010 Miguel Oliveira Cardo 2010. Agentes Patogénicos humanos (OIE 2001) 1 415 espécies de agentes patogénicos para os humanos, dos quais: –217 viroses e doenças priónicas A Bíblia ensina que, de todos os seres vivos, apenas um número limitado de humanos vai para o céu. (Apocalipse 14:1, 3) Lá, eles vão governar junto com Jesus como reis e sacerdotes.(Lucas 22:28-30; Apocalipse 5:9, 10) Já a maioria dos humanos vai ser ressuscitada para viver em um paraíso aqui na Terra.— Salmo 37:11, 29. A Bíblia não fala de um céu para animais, e existem razões ...

Sonhos lúcidos

2019.05.30 22:09 KoopaTrope Sonhos lúcidos

- É sua tarefa, Luís, não minha.

- Eu sei, só estou pedindo ajuda. Você não pode me explicar?

O escritório inteiro olhava para os dois, mas a colega com quem ele falava nem tirava os olhos da tela para respondê-lo.

- Não. É responsabilidade sua.

Ele ficou ali, de pé, constrangido. A mulher acrescentou:

- Pôr calças também seria uma boa ideia.

Luís percebeu que estava pelado abaixo da cintura. Cobriu suas partes com as mãos e, envergonhado, voltou ao seu lugar. Sentou-se e fingiu que estava tudo normal. Perguntou-se se Mara havia visto aquela humilhação toda.

Tentou trabalhar, mas raciocinar estava difícil, então abriu o Outlook e digitou:


“Para: Suporte Técnico Assunto: Café Mensagem: 

Olá, Poderiam, por favor, me trazer uma xícara de café? Aguardo sua resposta. Atenciosamente, Luís Monteiro” 


Assim que enviou o e-mail, Mara veio ao seu cubículo conversar. Ela estava de saia rosa e uma boa parte da coxa de fora. Luís afundou-se na cadeira tentando esconder sua nudez debaixo da mesa.

- Precisa de ajuda? - A voz, assim como o rosto, era da sua ex, mas aquela era a Mara mesmo assim.

- Preciso.

Ele tentou se lembrar aonde estava guardado, na rede, o arquivo que precisava preencher. Abria diversas pastas mas não o achava. Mara mudava o peso de uma perna para a outra, impaciente.

Ele clicou duas vezes em um arquivo e um emulador de Super Nintendo se abriu, com as palavras “STAR WARS” em amarelo num fundo preto. A versão 16-bit do tema do filme tocando alto.

- Não sei o que é isso - ele mentiu enquanto tentava abaixar o volume da caixa de som, sem sucesso. - Nunca instalei isso. Não é meu.

Diversos colegas se aproximaram para olhar sua tela.

- Aqui está o café! - gritou o cara do suporte técnico, tentando ser ouvido por cima da música.

Luís tentava fechar a janela do emulador, mas não conseguia. O logo amarelo se distanciava da tela e um texto o seguia lentamente pelo espaço. A música continuava jorrando. O cursor estava em cima do “X”, mas quando ele clicava nada acontecia. No desespero, acertou com o cotovelo a xícara que havia surgido em cima da mesa. Mara gritou quando o café pelando caiu na sua perna.

- Desculpa! - Luís disse se levantando.

Os olhares dos colegas o lembraram que ele estava pelado. Mara chorava. Ela tirou a mão da coxa revelando uma ferida em carne viva.

- Desculpa! - Ele implorou.

A menina olhou para a nudez de Luís. Sua expressão passou de dor para surpresa, e logo para a de desespero.

- Na sua barriga também! - Ela disse, apontando para o jovem.

Ele olhou para baixo.

Sua barriga estava tostada. Bolhas cresciam e estouravam, fazendo sangue e pus escorrerem pelas suas pernas.


Tudo aquilo desapareceu, exceto pela música, e Luís viu-se em seu quarto, deitado na cama. O lap top estava quente em sua barriga ainda com Super Star Wars ligado. Fechou a janela do jogo assim que entendeu o que estava acontecendo. Ah, silêncio!

Havia chegado tarde do trabalho, descongelado e comido uma lasanha e deitado no escuro para jogar um pouco e relaxar. Nem percebeu quando caiu no sono. Devia ter esbarrado em alguma coisa e o lap top saiu do modo inativo, o acordando.

“Que merda de sonho”, pensou. Ter pesadelos já era ruim, mas sonhar que estava trabalhando era horrível. Chegara do serviço e pegara no sono por oito horas, só para trabalhar lá também. E agora já tinha que voltar pro escritório. Era como se fizesse três turnos emendados. O pior é que esses sonhos estavam cada vez mais frequentes.

Pensou sobre o pesadelo que teve. Aliviava-se ao lembrar dos detalhes e se assegurar de que nenhum deles tinha acontecido de verdade. Riu da ideia de pedir um café por e-mail para o suporte técnico. “Acho que vou fazer isso hoje”, brincou para si mesmo, começando a ficar grogue de sono novamente. Abriu os olhos com urgência e checou as horas no celular. Faltavam quinze minutos pra ter que se levantar.

Quinze minutos era o pior. Muito pouco para voltar a dormir mas muito tempo para desperdiçar se levantando. Já que estava com o computador na cama, abriu uma janela do Reddit e começou a navegar.

No meio de memes e gifs de cachorros, viu uma postagem que, se houvesse visto em outro dia, teria ignorado, mas hoje lhe chamara a atenção. Era um texto sobre sonhos lúcidos. Ele já havia ouvido falar naquilo, sabia que tinha a ver com controlar seus sonhos. “Num pesadelo como o de hoje isso seria muito útil”, pensou.


Ao meio-dia, enquanto almoçava, Luís leu o artigo salvo no celular.

O conceito era o que imaginava: controlar a si mesmo e tudo ao seu redor nos sonhos. A maneira como se alcançava isso era percebendo que estava sonhando sem acordar. Assim a realidade era sua para ser modelada. “Eu poderia fazer o que quisesse”, pensou. “Poderia ser um jedi, ter uma Ferrari, comer a Megan Fox…”.

Leu atentamente a segunda parte do texto, que ensinava como atingir a lucidez nos sonhos.

A primeira dica era ter um diário de sonhos, que deveria ficar na cabeceira da cama, tanto para que fosse possível anotá-lo antes de esquecê-lo, quanto para que de noite a pessoa caísse no sono perto do caderno. Isso faria com que ela inconscientemente se preparasse para sonhar, aumentando suas chances de perceber que sonhava.

Aquilo pareceu bobagem para Luís. Esse papo de inconsciente não era sua praia, mas o próximo ponto parecia mais racional e o fascinava.

Tratava-se de outro tipo de truque para perceber que se estava sonhando. A grande sacada era se viciar nesses truques, de maneira com que a pessoa começasse a testar o seu redor mesmo sem pensar a respeito, até que em algum momento acabaria fazendo aquilo sem querer em um sonho, e então perceberia que estava dormindo.

Dois desses truques fizeram muito sentido para Luís. Um era olhar a palma de sua mão o tempo todo, de cinco em cinco minutos, se possível, todos os dias, até que começasse a fazê-lo sem pensar. Acabaria conhecendo a imagem da sua palma, e quando, por vício, fizesse aquilo em um sonho, reconheceria que aquela não era exatamente a sua mão.

Outro truque que Luís achou que podia funcionar com ele era se viciar em apertar todo interruptor de luz que visse. Teria que, toda vez que entrasse em uma sala sozinho, procurar um interruptor e apertá-lo. Segundo a postagem, assim como a palma da mão, a mudança da luz em uma sala era difícil de ser reproduzida perfeitamente por nosso cérebro.

Se ele era influenciável o suficiente para frequentemente sonhar que estava trabalhando, não via porque não conseguiria condicionar-se a testar uma dessas coisas num sonho.


- Tá tudo bem? - Perguntou Pedro, ao flagrar Luís, de novo, olhando para a palma de sua mão.

- Sim, tudo certo.

Pedro sentava ao seu lado e provavelmente o veria fazendo aquilo diversas vezes ao dia, então Luís abriu o jogo:

- Eu só estou fazendo um teste. É um truque para se ter sonhos lúcidos.

O colega franziu a testa.

- Isso é quando você tem um sonho super realista, tipo A Origem, né?

- Mais ou menos. - Ele respondeu, sem saco para explicar, e com um pouco de vergonha também.

Após os dois ficarem em silêncio por um instante, Luís checou novamente sua palma. Pedro balançou a cabeça negativamente e balbuciou:

- Coisa de louco.

Luís ouviu esse tipo de comentário diversas vezes nos dias seguintes. Mesmo assim, sua força de vontade o fez continuar. De cinco em cinco minutos, as vezes ainda mais frequentemente, ele checava sua palma, não se importando com quem via. Começou a fazê-lo sem pensar, até na frente da Mara.

Sempre que entrava em um cômodo novo e se via sozinho, procurava o interruptor e o apertava, prestando atenção em como a luz se apagava e se acendia. Não importava se estava em casa, no escritório ou qualquer outro lugar. Chegou a apagar a luz sem querer na cozinha do escritório enquanto umas dez pessoas almoçavam. Apenas pediu desculpas e acendeu a lâmpada, aproveitando para reparar bem em como isso mudava o ambiente.

Até a dica do diário de sonhos ele seguiu. No começo sentiu-se um pouco ridículo escrevendo seus sonhos, mas acabou gostando de ter um jornalzinho e poder reler aqueles sonhos bizarros que sumiam de sua cabeça alguns minutos após acordar.

Após dois meses ele havia quase desistido daquilo tudo. Quando apertava um interruptor ou olhava para a palma de sua mão se perguntava por que estava fazendo aquela idiotice, mas então imaginava-se voando num sonho, e sendo um rei por oito horas, todos os dias, e insistia no hábito.


Um dia Luís estava com a Mara na casa dela. A aparência era da casa de sua avó, mas era a da Mara mesmo assim. Sentados no sofá, os dois conversavam, e a menina o tocava quando falava, e ria toda vez que ele fazia um comentário engraçado. “Isso está indo muito bem”, ele pensava, e pela primeira vez perto dela falava com confiança.

- Sabia que seu nome é de uma personagem do Star Wars?

- É mesmo? - Ela arregalou os olhos, muito interessada.

- Sim. Mara Jade. E o seu olho é verde, igual jade…

- Uau! Que coincidência!

- É! Eu pensei nisso assim que me apresentaram você, quando eu entrei na empresa.

- Eu tenho uma coisa do Star Wars aqui.

A moça se levantou e se trancou no closet. Depois de alguns instantes saiu vestindo uma longa tanga vinho que cobria a parte da frente e de trás de sua cintura, aberta nas laterais, um biquini metálico, pulseiras douradas e um colar apertado, do mesmo metal, do qual saia uma corrente. Seu cabelo trançado caia decorado por presilhas amarelas.

- Você gosta? - Ela o provocou.

- Muito - Respondeu, finalmente ficando nervoso.

- Vem.

Mara saiu da sala em direção ao seu quarto e Luís a seguiu. Entre os dois cômodos havia um corredor, e nele, sem pensar, o jovem olhou para a sua mão.

Havia algo de errado. Tentava reconhecer as linhas mas não conseguia. Elas se embaralhavam na sua palma. Apenas quando Luís focava no lugar em que uma linha deveria estar é que ela aparecia corretamente.

“Isso não está certo”, ele pensou.

- Vem, Luís.

Ele podia ver Mara na cama, olhando para ele do quarto. Teve vontade de esquecer a sua mão e ir até ela, mas algo dentro de si dizia que aquilo era muito importante, e que, muito tempo atrás, em um tempo que ele nem se lembrava mais, queria muito que aquilo acontecesse.

“Tinha a ver com perceber se eu estava sonhando”, lembrou. Aquele pensamento o fez procurar por um interruptor de luz.

Do lado da porta do quarto onde Mara estava havia um grande interruptor amarelo. Luís o apertou e nada aconteceu.

“Estranho”, pensou. A lâmpada estava apagada, mas o corredor continuava iluminado. Apertou o botão novamente e viu a luz surgir dentro da lâmpada, um instante mais devagar do que deveria, mas a iluminação ao seu redor continuava a mesma.

Uma realização veio de repente: “estou sonhando”.

Agora ele via a diferença. Era como se tudo existisse de maneira fraca, exceto aquilo em que ele prestava atenção. Olhava para Mara e a única coisa que existia era ela. Olhava para o interruptor e Mara deixava de existir, e após alguns segundos, quando relaxava, coisas ao redor começavam a aparecer em segundo plano, desfocadas.

“O que eu quiser vai existir. Isso é tudo minha imaginação, só preciso aprender a controlá-la”. Olhou para a mulher na cama e concentrou-se, imaginando-a levantando o braço. Ela o levantou. Como se uma chave tivesse sido virada no cérebro de Luís, o sonho parou de acontecer sozinho, e ele se viu no poder.

Ao ganhar o controle, tudo ao seu redor desapareceu. Ele estava no meio do nada.

Lembrou-se do artigo que leu. Haviam diferentes níveis de domínio dos sonhos, e no mais forte apenas o que a pessoa imaginasse existiria, sem nada em segundo plano sendo projetado pelo inconsciente. “Parece que vim direto pro nível mais avançado”, pensou.

Imaginou a Mara numa cama a sua frente e o pensamento se materializou na hora. Ele se aproximou. Agora tudo o que existia era ele, a cama e Mara. Relaxou por um instante e tudo desapareceu. Ele estava no meio do nada de novo. Esforçou-se para fazer Mara e a cama reaparecerem, e conseguiu, mas a mulher não fazia nada, apenas estava lá, da maneira em que ele a imaginava.

Tinha que concentrar-se para que ela continuasse existindo. Suas curvas, seu olhar, seu sorriso, nada daquilo existia mais sozinho, como antes, tudo dependia dele imaginar.

“Isso não é muito diferente de fantasiar acordado”, pensou. Tocou a pele da mulher. Não sentiu nada. Imaginou a textura e a temperatura, e de certa maneira a sentiu. “Isso não é um sonho mais. É só imaginação.” A decepção fez com que ele se desconcentrasse e tudo desapareceu novamente. Dessa vez ele imaginou a Megan Fox na sua frente. Tocou-a e o resultado foi o mesmo: teve que imaginar a sensação. “Isso é ridículo. Eu já me imaginei tocando essas duas um milhão de vezes. No sonho deveria parecer real!”.


O sonho foi interrompido pelos berros de um despertador. Xingando, Luís o desligou. Por instinto ele abriu seu diário de sonhos na página daquele dia, destampou a caneta Bic e olhou para a folha em branco por um segundo. Fechou a caderneta com a caneta no meio e a atirou para o outro canto do quarto. “Que merda”, ele pensou, frustrado. Não anotou mais seus sonhos.

Naquele dia o jovem lutou contra o vício e não olhou nenhuma vez para a palma de sua mão. Quando via um interruptor tinha vontade de xingá-lo. Sentia-se enganado e traído.

Parte de si ainda negava que aquilo realmente acontecera. Enquanto trabalhava, fechou os olhos e imaginou-se tocando a Megan Fox pelada. A sensação era exatamente igual à do sonho. O que ele havia visto e sentido enquanto sonhava não era nem um pingo mais real do que sua imaginação era normalmente, e ele não se considerava alguém com uma imaginação super fértil. Todas aquelas semanas de treino, o ridículo que passara na frente das pessoas ao olhar para sua mão o tempo todo, tudo aquilo para nada. Para um sonho de merda que nem podia ser chamado de sonho.

- Tá dormindo? - Perguntou Pedro, voltando do banheiro.

Luís abriu os olhos e fingiu trabalhar.

- Ou tá sonhando que nem A Origem? - Pedro riu alto com seu comentário, sentou-se e abriu seu lap top com um sorriso no rosto.


Ao chegar do trabalho, Luís comeu um miojo, colocou o pijama e tomou um remédio para dormir, que gostava de ter em casa para uma emergência. Deixou a louça acumular mais um dia. Ainda não eram nem 8 horas, mas ele apagou a luz do quarto e se deitou.

Não sabia exatamente aonde queria chegar, mas precisava sonhar. Ele se perguntou se “acordaria” outra vez dentro do sonho. Se acontecesse, talvez ele pudesse fazer tudo sentir mais real do que na noite passada. Seria bom. Mas ele torcia para que nada disso acontecesse. Ele queria ter um sonho normal, sem lucidez nenhuma. Um sonho que o enganasse até alguns segundos após acordar.

Um facho de luz azulada entrava pela abertura por entre as cortinas e se estampava na parede. Ficava mais forte e esbranquiçado quando um carro passava na rua. Luís assistiu aquilo por uma meia hora.

Ele não percebeu a transição, mas se encontrava em lugar nenhum, no meio do nada. Lá não era escuro, mas também não era claro. Simplesmente não era nada.

Lembrou-se de uma postagem que leu no Reddit, de um cara tentando entender como é possível que cegos simplesmente não enxergam, ao invés de ver tudo escuro. Alguém havia explicado pedindo para que o OP fechasse os olhos. “Tudo o que você vê é preto, certo?”, dizia o comentário. “E o que você vê atrás de si? Tudo escuro também? Não, você simplesmente não enxerga nada atrás de si. Não é preto nem branco, simplesmente não existe”. Assim era o nada ao redor de Luís.

Ele já estivera ali antes. Na noite anterior, assim que começou a sonhar lucidamente e tudo ao seu redor desapareceu, mas dessa vez o jovem soube que estava sonhando no instante em que adormecera e aparecera ali. Nem tivera a chance de ter um sonho não lúcido. “Merda. Será que vai ser assim a noite inteira?”

Resolveu pelo menos tentar se divertir. Lembrou-se do comentário do Pedro sobre Inception e tentou criar uma cidade ao seu redor, como no filme. Imaginou uma rua com calçadas. Não era ultra-realista como ele esperava que seus sonhos lúcidos seriam, era apenas tão real quanto sua imaginação. Ele se perguntou se sempre sonhara assim, tudo meio fora de foco, meio descolorido.

Concentrou-se no chão e, após alguns segundos, conseguiu detalhá-lo bem. O asfalto brilhava e a calçada era feita de paralelepípedos, todos perfeitos e do mesmo tamanho. Grama crescia aqui ou ali, por entre as pedras.

Imaginou um prédio ao seu lado, uma torre de cimento e vidro. Decorou-o com um portão de ferro, alguns degraus levando até a porta de entrada e uma portaria vazia.

Percebeu que, ao imaginar o prédio, havia deixado de lado o chão, que desaparecera. Imaginou-o outra vez, agora se esforçando para manter as duas coisas na cabeça ao mesmo tempo.

Conseguiu fazer ambas as coisas existirem juntas, mas não pôde mantê-las tão detalhadas quanto antes. Se o asfalto brilhava e grama crescia na calçada, o prédio era apenas uma torre cinza sem graça. Se o prédio tinha janelas e uma fachada bonita, o chão tornava-se apenas uma sombra aos seus pés.

“Talvez se eu praticar bastante eu consiga”, pensou, mas não queria treinar aquilo. Não era divertido. Qual era o ponto daquilo tudo? Ele só queria voltar a sonhar normalmente e deixar esses sonhos lúcidos pra trás.

Esqueceu o pedacinho de cidade ao seu redor. Tudo desapareceu e ele voltou ao nada.

Quis relaxar como se tentasse dormir, mas não tinha sono. Claro, já estava dormindo. Sua mente estava relaxada mas em alerta, como quando ele tomava café no escritório mas continuava com preguiça de trabalhar.

Ficou apenas pensando na vida, esperando as horas passarem. Não havia maneira de checá-las. Achava que haviam se passado duas horas, pelo menos. Três talvez. Esperou mais.

Considerou que teria que esperar oito horas até o despertador acordá-lo. Ou mais, porque havia dormido cedo. “Pensei que o tempo nos sonhos passasse mais rápido ou algo assim. Merda de filme”.

Talvez em um sonho de verdade o tempo parecesse passar de maneira diferente, mas ele podia chamar aquilo de sonho? Só estava com sua mente acordada enquanto dormia, nada mais.

Após o que pareciam ter sido realmente oito horas, acordou. Seu corpo estava descansado, mas sua mente não. Era difícil se concentrar em qualquer coisa.

No trabalho ele não rendeu nada e em casa menos ainda. Deixou as tarefas domésticas para o dia seguinte de novo. A louça continuou acumulando e ele sabia que amanhã teria que usar uma camisa amassada, porque não tinha energia para passar.

Faziam dias que ele não falava com seus amigos e família, mas ignorou as ligações de sua mãe, apenas mandou uma mensagem de “está tudo bem, amanhã nos falamos”. Não queria conversar com ninguém naquele estado.

Perto da meia-noite se deitou. Mesmo cansado, a ideia de dormir e ter um sonho daqueles outra vez lhe parecia terrível. Passou a noite inteira jogando Dwarf Fortress e tomando Coca-Cola.


- Meu Deus, você está um caco! - Disse Pedro.

- Não consegui dormir.

Luís olhava para a tela do computador, mas não raciocinava. Os e-mails que chegavam pareciam estar em grego e as conversas ao seu redor não faziam sentido. Não comentou nada nas reuniões em que participou. Se alguém lhe pedisse para resumi-las ele não teria ideia do que foi tratado.

Era como se tivesse ficado mais de 48 horas acordado, já que duas noites atrás, quando havia dormido, não descansara sua mente. No fim do expediente esse número subiu para 56 horas.

As cores estavam diferentes e as palavras não faziam sentido. “Isso já é considerado alucinar? Acho que sim”. Quando olhava para o computador por muito tempo e depois para uma parede branca, via a tela estampada em negativo, desaparecendo aos poucos e aparecendo mais forte cada vez que piscava os olhos.


Naquela noite ele não teve escolha, dormiu. Nem se lembrava de caminhar até a cama e se jogar, mas percebeu quando apareceu naquele nada que eram seus sonhos agora. Lúcido outra vez. Foi quando teve a realização de que talvez nunca mais sonhasse normalmente, e pra sempre estaria “acordado” ao dormir. Talvez ao “virar a chave” no seu cérebro ele tivesse quebrado sua habilidade de sonhar para sempre.

O desespero bateu. Oito horas por dia daquele tédio e solidão para o resto de sua vida seria tortura. Tentou se entreter de alguma maneira.

Criou outro ser humano no sonho e tentou dar-lhe uma personalidade, mas ele só fazia o que Luís imaginasse. Voltou a tentar criar sua cidade. Talvez se fizesse uma bem grande teria como se entreter nela. Dessa vez não tentou detalhá-la demais e preocupou-se apenas em criar o maior número de objetos possíveis, sem fazer os outros desaparecerem. O esforço mental era enorme.

Foi quando percebeu que isso só o esgotaria mais, e seus dias seriam cada vez piores.

Sentou-se no nada e tentou descansar. Teve a ideia de meditar. Não sabia muito bem como fazer aquilo mas sabia que tinha que tentar não pensar em nada. Talvez conseguisse descansar seu cérebro um pouco.

As horas passaram devagar e dolorosamente. Em nenhum momento ele sentiu que ficou menos lúcido, mas quando acordou Luís percebeu que a meditação o ajudou. Continuava exausto, mas sentia-se como se tivesse tirado uma soneca.

Nas noites seguintes ele continuou meditando, tentando usar sua cabeça o mínimo possível. Durante o dia ele lia sobre a prática e religiões orientais, o que ele teria achado ridículo alguns meses atrás. Seus dias voltaram a render, tanto no trabalho quanto em casa, e ele se sentia relativamente descansado. Voltou a comer bem, lavou a louça, ligou para a sua mãe e voltou a sair com seus amigos.

Seus dias eram bons, o problema eram as noites. Oito horas sem fazer nada além de meditar, todos os dias, sozinho, sabendo que a alternativa era sofrer de cansaço durante o dia. Houveram noites em que ele se rebelou. Imaginou-se em cenas de ação, duelando de espadas ou pilotando uma X-Wing. Outra noite passou o Episódio IV inteiro na sua cabeça, como se assistisse ao filme. O resultado dessas noites rebeldes era sempre o mesmo: no dia seguinte era como se não tivesse descansado, e ele prometia para si mesmo que naquela noite não cometeria o mesmo erro.

Após alguns meses ele estava pró em meditar. Já tinha até uma rotina. Criava uma versão simplificada de seu quarto, mas todo “zen”, com um bonsai de pinheiro-negro e um daqueles jardins de areia japoneses, uma janela que sempre dava para um céu azul por onde entrava seu cheiro favorito, o de grama cortada, e silêncio completo. Depois se sentava num puff super confortável, fechava os olhos e tentava não pensar em nada até acordar - o que fazia o quarto desaparecer, mas o importante era aquele relaxamento inicial. Ficou tão bom nisso que não gastava nem cinco minutos para criar o quarto, e conseguia descansar o resto da noite.

Ainda achava todo o papo espiritual das religiões orientais pura baboseira, mas aprender a não pensar em quase nada havia salvado sua vida.


Uma noite ele sentou-se naquele puff, fechou os olhos e prestou atenção em seus pensamentos. “Ainda tenho oito horas disso”, “não vou conseguir me concentrar hoje”, “amanhã tenho muita coisa pra resolver no trabalho”, “toda noite será assim, pro resto da vida?”. Como sempre, no começo seus pensamentos abundavam, mas Luís foi vencendo-os um a um, até que conseguiu manter o foco apenas em uma coisa: um ponto imaginário a cerca de dois metros à sua frente. Toda a sua energia mental estava focada naquilo. Algumas horas se passaram e então, como que num passe de mágica, ele esqueceu de prestar atenção no ponto.

Não percebeu quando passou a não pensar em nada, como havia lido que era possível, mas sempre duvidara. Sua autoconsciência naquele momento era como o nada lá fora: nem escura, nem clara, apenas não existia.

- Oi Luís.

A voz era grossa, mas feminina. Luís abriu os olhos assustado. Estava no meio daquele nada que já conhecia bem. Olhou ao redor, procurando alguém.

“Devo ter imaginado isso” pensou, frustrado de ter que começar a meditação de novo.

Imaginou o quarto. O chão, o puff, o bonsai, a porta, a janela, dessa vez até colocou um aquário em um canto porque estava sentindo-se criativo. Sentou-se no lugar de sempre, sentindo o cheiro de grama cortada.

Alguém bateu na porta.

Luís levantou-se de supetão. “Que porra é essa?”. Ele olhou para a porta assustado, tentando perceber se realmente tinha alguém do outro lado. Imaginou que lá fora o sol brilhava. Debaixo da porta a luz entrava em três fachos, como se houvessem dois pés parados do lado de fora. Certamente ele não estava imaginando aquilo de propósito.

Criou um olho mágico na porta e espiou. Do outro lado havia uma pessoa com longos cabelos pretos.

- Deixa eu entrar, Luís - ela disse.

Ele hesitou por um instante, mas ter um amigo nessas noites não seria nada mal. “Foda-se”, pensou, e abriu a porta.

A criatura entrou quase que violentamente, mas sorrindo. Olhava ao redor com muito interesse. Ela não usava nenhuma peça de roupa, mas seu magro corpo era coberto de pêlos, como os de um cavalo, e os longos cabelos pretos chegavam à cintura.

- Hm, não quer se sentar? - Luís apontou para a cama, sem jeito.

Ela se acomodou e bateu com uma mão peluda ao seu lado, sinalizando para que Luís se sentasse também.

Ele obedeceu.

- Quem é você? - O jovem perguntou.

Ela o olhou com grandes pupilas que cobriam quase todo o espaço branco dos olhos, que estavam abaixo de grossas e bagunçadas sobrancelhas. Quase sem queixo, seu rosto terminava em uma larga boca que ia de orelha a orelha.

- Não sei - ela respondeu, com toda a honestidade do mundo.

- Mas como você veio parar aqui, na minha cabeça, se eu não estou te imaginando?

Ela riu. Seus dentes eram pontudos.

- Eu sempre estive aqui, você que chegou faz pouco tempo.

- Então por que eu não te vi antes?

- Eu não pude fazer muita coisa desde que você assumiu o controle. - Ela já havia perdido o interesse no jovem e voltara a olhar ao seu redor. - Você me bloqueou.

- O que você fazia antes?

A mulher se levantou para olhar de perto o aquário.

- Se lá, o que eu quisesse - disse, batendo no vidro.

- Mas sempre aqui, na minha cabeça?

- Sempre aqui. Onde mais? - Ela pegou um peixe amarelo e o jogou em sua boca. Luís tentou disfarçar o choque - Mas, aparentemente, - ela continuou, mastigando - você prefere apertar um interruptor do que transar com a Mara vestida de Leia, o que eu posso fazer?

Ele ficou sem palavras por um instante, tentando entender o sentido daquilo tudo.

- Você controlava meus sonhos?

- Boa parte sim. A maior parte não.

- A maior parte eu que criava, certo? Meu inconsciente que criava?

- Sei lá - Ela fez uma cara como se nunca tivesse ouvido aquela palavra. - Só sei que você tirou todo mundo da jogada, né?

- E o que aconteceu com ele?

Ela deu de ombros, sinalizando que não sabia.

- E por que foi você que apareceu agora, e não o meu inconsciente?

Ela deixou o aquário de lado e o olhou seriamente.

- Olha, eu não sei responder essas coisas. Essas palavras que você usa… É difícil explicar o que se passa por aqui. - Ela foi até o bonsai, arrancou uma folha em formato de agulha e a cheirou. - Só sei que vi uma brexa e entrei. Fui mais rápida que qualquer outra coisa, acho. Só isso.

A mulher parecia não conseguir focar em algo por muito tempo. Luís apenas a observou, até tomar coragem e perguntar:

- Você pode me fazer sonhar como antigamente?

Ela o olhou surpresa, as grossas sobrancelhas arqueadas.

- Você quer isso?

- Quero.

- Eu… Sim, eu posso. Eu posso! Você só precisa me ajudar.

- Como?

- Senta num canto e fecha os olhos. Vou fazer umas coisas por aqui. Não me atrapalha!

- Tudo bem.

Ele sentou-se no puff e fechou os olhos. Já que teria que esperar, era melhor descansar. Esqueceu o quarto ao seu redor e focou apenas em sua mente.

- Não abre os olhos! - A criatura falou.

Luís a ouvia andando de um lado pro outro, como se estivesse muito ocupada.

- Vou fazer você não perceber que é um sonho. Você gosta de terror?

Ele demorou um instante pra entender a pergunta.

- Prefiro sci-fi e fantasia.

- Mas terror é legal também, né?

- Sim.

O jovem sentia e ouvia coisas aparecendo ao seu redor. Um ar frio chegou até ele, cheirando a umidade. Ouviu passos de outras criaturas. Uma, duas, três. Andavam de quatro, como cachorros.

Ele sabia que não estava imaginando aquilo, estava tendo um sonho de verdade, finalmente. Sentiu uma das criaturas aproximar-se de si.

Luís abriu os olhos. Estava em seu quarto novamente, acordado.

O dia passou devagar. A perspectiva de voltar a sonhar e de ter uma noite inteira de descanso fez com que ele apenas pensasse em dormir. Quando finalmente se deitou, após tomar alguns comprimidos, nem percebeu a transição.


Estava escuro. Ao seu redor coisas que ele não podia ver caminhavam e rastejavam. O chão era frio e lamacento. Ele não sabia onde estava, sabia apenas uma coisa: as criaturas procuravam por ele, e podiam farejar seus pensamentos.

Se escondeu no que parecia ser, pelo tato, uma abertura nas raízes de uma árvore. Sentia pequenas coisas que viviam ali rastejando e subindo em seu corpo. Tentou não pensar em nada enquanto tremia de frio e medo espremido naquele buraco.

Um pensamento fraco acendeu em sua cabeça. Havia algo que ele deveria se lembrar. Algo óbvio que explicaria o que era tudo aquilo, como ele chegara até lá. Por um instante ele deixou aquele pensamento tomar conta de sua cabeça.

Uma das bestas saltou até sua frente, grunhindo. Ele ouviu uma segunda, uma terceira, e muitas outras criaturas se aproximarem. Elas sabiam que ele estava lá.

Antes que pudesse tentar qualquer coisa, dentes afiados espremeram seu braço e o puxaram com uma força descomunal. Luís sentiu diversos focinhos em seu corpo, cada um arrancando um pedaço de carne.

Enquanto sentia seus órgãos sendo arrancados do seu corpo, ele ouvia o rugido dos animais. Misturado com aquele som, ouvia também uma risada grave de mulher.


Luís acordou antes do despertador tocar. Checou no celular: apenas um minuto para o alarme. Desligou-o rapidamente. Adorava quando isso acontecia. Havia dormido tudo o que tinha que dormir e não teve que ouvir nenhum barulho. Riu de felicidade. "O dia começou bem", pensou.

Levantou-se e considerou o que comer. Acabou se decidindo por fazer ovos mexidos com tomate, requeijão e um presunto que ele tinha que usar antes que estragasse. Colocou "Cantina Band" pra tocar enquanto cozinhava, assobiando a melodia apenas de samba-canção.

Estava de bom humor. Por que não estaria? Fazia mais de um mês que ele dormia maravilhosamente bem. Tinha pesadelos todas as noites, mas acordava descansado, ao contrário da época dos sonhos lúcidos. Agora seu cérebro conseguia relaxar durante a noite, ainda mais do que quando meditava dormindo.

O dia se passou sem qualquer acontecimento relevante. Mais uma noite no escuro, desprotegido, ouvindo ruídos terríveis ao seu redor. Outro dia. Outra noite. E outra. E outra. As vezes era atacado durante o sonho. Sentia sua pele sendo rasgada por centenas de dentes e as bestas saltando de todos os lados para provar sua carne. Outras noites apenas se agachava e chorava, tentando entender aonde estava, e o que havia feito para merecer aquilo. Tremia de medo das coisas ao seu redor. Durante os pesadelos tinha a sensação de já ter estado ali outras vezes, de ter sido atacado e comido vivo, mas não entendia porque havia voltado, e se um dia escaparia de vez.

Durante o dia estava feliz. Produzia bastante no trabalho, via seus amigos e sua família. Depois de meses finalmente sentia-se totalmente descansado, mas as vezes, quando estava sozinho em casa ou no banheiro da firma, fechava os olhos e via cenas horríveis. Criaturas com presas gigantes esperando a noite para lhe caçar. Elas estavam lá ainda, escondidas num cantinho da sua mente. Ele se lembrava dos sonhos quando estava acordado, era quando dormia que não se lembrava de onde veio.

Ao deitar tinha receio de dormir. Sabia que os pesadelos estavam fazendo bem para ele, mas o medo era inevitável. Fazia duas semanas que ele tomava remédio para dormir todas as noites, e pegava no sono encolhido, abraçado no travesseiro. “Talvez se eu me esforçar um pouquinho pra sonhar lucidamente, só um pouquinho…”, pensou já grogue, enquanto o quarto desaparecia ao seu redor.

Estava encolhido, escondido dos monstros na escuridão. Tentava não pensar em nada para não os atrair, mas um pensamento rápido invadiu sua cabeça: aquilo poderia ser um pesadelo. Estava tão escuro que não podia ver sua palma da mão. Não havia interruptores por perto. Sabia que se imaginasse algo e aquilo acontecesse provaria que estava em um sonho, mas só de tentar isso já atrairia as bestas. Sentiu uma se aproximar, farejando. Podia ouví-la se movendo no escuro. “Foda-se”. Imaginou o local em que a criatura estava sendo engolido por labaredas.

Acendeu-se uma fogueira imensa e toda a floresta se iluminou de dourado. O monstro uivava. Olhos por todos os lados voltaram-se para Luís enquanto ele se esforçava para manter aquele pensamento e a chama acesa. Colocou fogo em outro. E mais um. Cada labareda criava compridas sombras pela floresta.

Monstros saltaram em sua direção por todos os lados. Ele imaginou-se um mago, criando uma barreira de proteção ao seu redor. Uma esfera invisível lhe protegia dos ataques. Era difícil imaginar tanta coisa ao mesmo tempo e apenas um dos monstros continuou aceso. Estava imóvel. Deitado, queimava como uma pilha de carvão.

- Idiota! - Era a voz da mulher que havia prometido o ajudar.

As criaturas rodeavam a barreira protetora. Luís, com cuidado para não a tirar da cabeça ou a enfraquecer sem querer, conseguiu imaginar outro monstro pegando fogo. Assim que teve certeza que esse havia morrido, colocou fogo em mais um. “Posso passar a noite inteira assim”.

-Idiota! Estou te ajudando!

Luís só percebeu que desviou sua atenção da barreira por um instante quando uma pata gigante bateu em seu corpo, lançado-o ao ar. Chocou-se contra uma árvore a metros de distância e caiu no chão.

Sentia sua roupa rasgada nas costas e o sangue escorrendo por seu corpo. A dor era insuportável. Tentou tirar seu braço esquerdo de baixo de si mas ele não respondia. Rolou para sair de cima do braço e sentiu sua costela, certamente quebrada, cortando sua carne por dentro com cada movimento. “É só um sonho”, pensou levantando-se devagar.

Estava escuro novamente e Luís podia ouvir os monstros correndo em sua direção.

Idiota! - a voz agora vinha de perto do jovem - Você pediu por isso!

Luís correu até ela, imaginando-se segurando a empunhadura de um sabre, e com um estalo metálico um facho de luz saiu do cabo e iluminou o lugar de vermelho. Ele viu a expressão de surpresa no rosto animalesco da mulher quando a partiu em dois.


Acordou. Mas não estava no seu quarto, estava de volta àquele nada dos seus sonhos lúcidos. O nada que não era nem frio nem quente, nem escuro nem claro.

“Estou sonhando ainda. Voltei a sonhar lucidamente”. Ele olhou ao redor, como se procurasse alguém que pudesse ajudá-lo. “Não… não…”.

Acordou de verdade, suado, com o despertador tocando. Levantou-se e se arrumou para o trabalho de forma automática, pensando em como seria sua vida a partir de agora. Matara a única coisa que pôde o ajudar. Voltara a sonhar lucidamente. Saiu de casa em direção ao ponto de ônibus.

Suas pernas estavam bambas. Teria que passar oito horas todos os dias sozinho, sem ter o que fazer, para o resto de sua vida. Não descansaria mais. Enlouqueceria.

Atravessou a rua tão perdido em seus pensamentos que nem viu o que lhe atingiu.


O nada não era nem preto, nem branco. Luís não sabia por que estava sonhando. Ele ouvia vozes que vinham do mundo lá fora. Pessoas que ele não conhecia gritando. Ouviu familiares. Alguns falavam pra ele que tudo ficaria bem. Reconheceu a voz de sua mãe.

Esperou horas fazendo o que costumava fazer quando sonhava lucidamente: meditando, imaginando algo, passando um filme em sua cabeça. Só quando, durante uma conversa da sua mãe com um médico, Luís ouviu a palavra “coma”, que ele entendeu quanto tempo passaria naquela tortura.
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2019.03.27 18:23 DocStrang3l0ve O que é anarquismo? Uma palavrinha para os novatos.

Anarquismo em poucas palavras
Tipos de anarquismo
O anarquismo tem muitos sabores. É como Linux e todas as suas distros/IDE que você pode utilizar. Esta tabela serve para explicar brevemente cada uma das principais tendências dentro do anarquismo.
É importante notar que um grande número de anarquistas pode usar mais de um dessas etiquetas para se descreverem dependendo do que eles estiverem fazendo e da estrutura do grupo em que eles estiverem trabalhando: alguns anarquistas preferem grupos estruturados e duradouros, onde os membros se comprometem com certos princípios táticos e ideológicos; outros preferem grupos de afinidade mais flexível e de menor escala, que vêm e vão conforme a necessidade.
Tendência Resumo
Anarco-comunismo O anarco-comunismo (ou comunismo anarquista) propõe que a forma mais livre de organização social seria a de uma sociedade composta de comunas autogeridas, com o uso coletivo dos meios de produção, organizada democraticamente e tomando decisões por meio de um consenso, e se relacionando com outras comunas através de uma federação. No anarco-comunismo não haveria dinheiro mas todos teriam acesso gratuito aos recursos e à produção da comuna. É dito, portanto, que o anarco-comunismo opera com base na economia de oferta (também chamada de economia do dom, economia da doação ou economia da dádiva).
Coletivismo O anarco-coletivismo é parecido com o anarco-comunismo, com exceção do fato de que no coletivismo os trabalhadores seriam compensados pelo seu trabalho com base na quantidade de tempo que contribuíram para a produção, ao invés dos bens serem distribuídos “de acordo com a necessidade”, como no anarco-comunismo. Alguns anarco-coletivistas não se opõem ao uso de uma moeda. Alguns defendem que os trabalhadores sejam pagos baseado na quantidade de tempo que eles contribuíram para a produção. Esses salários seriam utilizados na aquisição de mercadorias em um mercado comunal.
Anarquismo Individualista/Egoísta O anarco-individualismo se refere à diversas tradições de pensamento dentro do movimento anarquista que dão ênfase ao indivíduo e a sua vontade sobre quaisquer outros tipos de determinantes externos, como grupos, a sociedade, tradições e sistemas ideológicos. Benjamin R. Tucker, um famoso anarco-individualista do século XIX, dizia que “se o indivíduo tem o direito de governar a si próprio, todo governo externo é uma tirania”. O anarquismo egoísta é uma escola de pensamento anarquista originária da filosofia de Max Stirner. O egoísta rejeita a devoção á “um grande ideal, uma causa, uma doutrina, um sistema, um chamado superior”, dizendo que o egoísta não possui um apelo político mas que ao invés disso “vive por conta própria” sem se preocupar com “quão bem ou mal a humanidade pode estar”.
Anarco-sindicalismo O sindicalismo tem sindicatos radicais como uma força em potencial para uma mudança social revolucionária, buscando substituir o capitalismo e o Estado por uma nova sociedade que seja democraticamente autogerida pelos trabalhadores. Princípios importantes do sindicalismo incluem a solidariedade entre os trabalhadores, ação direta (como greves-gerais e recuperação de espaços de trabalho) e autogestão dos trabalhadores. O sindicalismo é ás vezes visto simplesmente como um foco estratégico específico dentro do anarco-comunismo ou coletivismo ao invés de uma corrente distinta do anarquismo.
Anarquismo insurrecionário O anarquismo insurrecionario é contrário às organizações formais, como sindicatos e federações que são baseadas em um programa político e reuniões periódicas. Ao invés disso, anarquistas insurrecionarios apoiam organizações informais e baseadas em pequenos grupos. Anarquistas insurrecionarios valorizam o ataque, o conflito de classes contínuo e a recusa em negociar ou se compromenter com os inimigos de classe. Anarquistas issurrecionarios contemporâneos comumente adotam as visões e as táticas do anarco-comunismo anti-organizacional.
Anarcafeminismo Anarcafeminismo é uma forma de anarquismo que sintetiza o feminismo radical e o anarquismo e vê o patriarcado (dominação masculina sobre as mulheres) como uma forma de opressão. O Anarcafeminismo foi inspirado no fim do século XIX pelos escritos das primeiras anarquistas feministas, como Lucy Parson, Emma Goldman e Voltairine de Cleyre. Anarcafeministas, assim como outras feministas radicais, criticam e defendem a abolição das concepções tradicionais de família, educação e papeis de gênero e acreditam que a luta feminista contra o sexismo e o patriarcado é um componente essencial da luta anarquista. Como coloca Susan Brown, “como o anarquismo é uma filosofia política que se opõe à todas as relações de poder, ele é inerentemente feminista”.
Anarquismo Queer O anarquismo queer é uma forma de socialismo que sugere o anarquismo como forma de lidar com problemas encarados pela comunidade LGBT, como a heteronormatividade, a homofobia, a transfobia e a bifobia. O anarquismo queer surgiu durante a segunda metade do século XX, entre anarquistas envolvidos no movimento de Libertação Gay, que viam o anarquismo como um caminho para a harmonia entre heterossexuais e pessoas LGBT. O anarquismo queer tem profundas raízes no movimento Queercore, uma derivação do Punk que retra a homossexualidade de uma maneira positiva.
Anarquismo Verde O anarquismo verde (ou eco-anarquismo) é uma escola de pensamento dentro do anarquismo que enfatiza questões ambientais. Anarquistas verdes frequentemente criticam as principais correntes anarquistas pelo foco delas em questões políticas e econômicas, ao invés de se focarem em ecossistemas. Ecologistas sociais, também considerados um tipo de anarquista, também fazes essa crítica. Essa teoria promove o municipalismo libertário e a tecnologia verde.
Anarco-primitivismo O anarco-primitivismo é uma crítica anarquista às origens e ao progresso da civilização. De acordo com o anarco-primitivismo, a mudança do modelo de caça-e-coleta para um modelo de subsistência agrícola deu origem à estratificação social, à coerção e à alienação. Anarco-primitivistas defendem o retorno a um estilo de vida não-”civilizado” através da desindustrilização, da abolição da divisão do trabalho ou especialização e o abandono de tecnologias de organização em larga escala. Existem outras formas não-anarquistas de primitivismo, e nem todos os primitivistas apontam os mesmos fenômenos como origem dos problemas da civilização moderna.
Veganarquismo O veganarquismo é uma filosofia política do veganismo (mais especificamente da libertação animal) e do anarquismo, criando uma práxis combinada como meio para uma revolução social. Isso engloba a visão do Estado como desnecessário e prejudicial para os animais, tanto humanos quanto não-humanos, em conjunto com a prática de um estilo de vida vegano. Veganarquistas ou veem a ideologia como uma teoria combinada ou entendem as duas ideologias como sendo a mesma coisa. Além disso, ela é descrita como uma perspectiva anti-especista do anarquismo verde ou uma perspectiva anarquista da libertação animal.
Anarco-Transhumanismo O anarco-transhumanismo é um ramo recente do anarquismo que pega o anarquismo tradicional e o moderno, tipicamente o anarco-sindicalismo, e combina ele com o transhumanismo e o pós-humanismo. Pode ser descrito como uma “revolução democrática liberal, que em sua essência possui a ideia de que as pessoas são mais felizes quando possuem o controle racional sobre suas vidas. Razão, ciência e tecnologia provêm um tipo de controle, lentamente nos libertando da ignorância, da fadiga, da dor, das doenças e de uma expectativa de vida limitada (envelhecimento).”
Mutualismo O anarquismo mutualista está preocupado com a reciprocidade, com a livre associação, com o contrato voluntário, com a federação e com o crédito e a reforma monetária. Muitos mutualistas acreditam que um mercado sem a interferência do governo reduziria os preços ao custo do trabalho, eliminando os lucros, a renda e a especulação de acordo com a teoria do valor-trabalho. As firmas seriam forçadas a competir pelos trabalhadores, assim como os trabalhadores competem pelas firmas, aumentando os salários. Alguns classificam os mutualistas como um meio termo entre o anarquismo individualista e o coletivista.
Anarquismo pós estruturalista/ pós anarquismo O prefixo “pós-” não significa ‘após o anarquismo’, e sim se refere ao desafio e à ruptura das suposições normalmente aceitas dentro das estruturas que emergiram durante a Era do Iluminismo. Isso significa a simples rejeição de algumas das noções essencialistas ou reducionistas do anarquismo tradicional. Argumenta que o capitalismo e o Estado não são as únicas fontes de dominação na época me que vivemos, e que novas abordagens precisam ser desenvolvidas para combater as estruturas de dominação em rede, que caracterizam a modernidade tardia.
Plataformismo O plataformismo enfatiza a necessidade de organizações anarquistas mais firmemente organizadas, capazes de influenciar a classe trabalhadora e movimentos camponeses. Grupos “plataformistas” rejeitam o modelo de vanguardismo Leninista. Eles procuram, ao invés disso, “fazer das ideias anarquistas o ideal dominante dentro da luta de classes”. Os quatro princípios básicos pelos quais uma organização anarquista deveria operar, segundo os plataformistas, são a unidade ideológica, a unidade tática, a responsabilidade coletiva e o federalismo.
Anarco-pacifismo O anarco-pacifismo (também chamado anarquismo pacifista ou pacifismo anarquista) é uma forma de anarquismo que rejeita totalmente o uso de violência em qualquer forma e para qualquer propósito. Anarco-pacifistas tendem a ver o Estado como uma forma de ‘violência organizada’, e que “seria portanto lógico que os anarquistas devessem rejeitar toda forma de violência”. O anarco-pacifismo critica a separação entre fins e meios. “Os meios... não devem ser meramente consistentes com os fins; este princípio, apesar de preferível a ‘os fins justificam os meios’, é baseado em uma falsa dicotomia. Meios são os fins, nunca um mero instrumento mas sempre uma expressão de valores; meios são criadores-de-fins ou fins-em-criação”.
Sintesismo / anarquismo sem adjetivos O anarquismo sem adjetivos é uma posição que tolera a coexistência de diferentes escolas de pensamento anarquista. O anarquismo sem adjetivos enfatiza a harmonia entre as diversas facções anarquistas e tenta uni-las em torno dos princípios antiautoritários compartilhados entre elas. Rudolf Rocker escreveu que os diferentes tipos de anarquismo apresentam “somente métodos diferentes de economia, as possibilidades práticas que ainda estão para ser testadas, e que o objetivo primário é garantir as liberdades pessoais e sociais da humanidade, não importando sobre qual base econômica elas serão conquistadas.”
Anarquismo religioso O anarquismo religioso se refere a um conjunto de ideologias anarquistas relacionadas entre si e que são inspiradas pelos ensinamentos das religiões (organizadas); porém, muitos anarquistas tradicionalmente possuem uma visão cética e combativa em relação à religião organizada. Diversas religiões serviram de inspiração para formas religiosas de anarquismo, mais notavelmente o Cristianismo; anarquistas cristãos acreditam que os ensinamentos bíblicos dão credibilidade a uma filosofia anarquista. Formas de anarquismo religioso não-cristãs incluem o anarquismo Budista, o anarquismo Judeu e mais recentemente o Neopaganismo. O Neopaganismo foca na sacralidade do meio-ambiente e na igualdade, e possui frequentemente uma natureza descentralizada.
Algumas leituras recomendadas (todas em inglês, por enquanto)
Esse texto foi uma tradução feita por mim da página "What is anarchism? A primer for newcomers", do sub Anarchism, que eu achei bem interessante como um resumo e uma introdução ao anarquismo. Achei que seria uma adição bacana à wiki do sub. Fiquem à vontade para criticarem, sugerir melhorias e divulgarem o texto.
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2017.10.16 03:05 michelrpaes Passe espiritual

💙Passe - Estudo -01
💙 CONCEITOS RELATIVOS AO PASSE
  1. O que é energia?
A energia de um corpo é a capacidade que este tem de gerar qualquer ação.
Como há várias formas de energia, pode haver várias formas de ação possíveis.
À energia calorífica, uma ação possível seria o aquecimento.
À energia elétrica, uma ação possível seria a geração de corrente.
À energia magnética, uma ação possível seria a magnetização de outro corpo.
Em geral os corpos têm vários tipos de energia, e, por conseguinte, podem atuar no meio no qual estão inseridos de várias formas.
Por exemplo: o corpo humano é capaz de aquecer o ambiente – nesse caso é utilizada a energia calorífica; é capaz de movimentar objetos – nesse caso é utilizada a energia mecânica; é capaz realizar o processo da digestão – nesse caso, dentre outras, utiliza a energia química; e assim por diante.
No passe, os pensamentos do passista e da equipe de Espíritos, reunidos, formam a energia espiritual que atua no paciente e diretamente nos fluidos, que são energia magnética, dando- lhe características necessárias ao paciente. Assim, podemos dizer que a energia relacionada ao passe é capaz de atuar diretamente no paciente. (Veja questão 114)
  1. O que é fluido?
Fluido é substância sutil, maleável, imponderável, energética, que pode ser manipulada pelo pensamento de Espíritos encarnados e desencarnados, que imprimem nele características positivas ou negativas, conforme o teor do pensamento. No passe, utiliza- se o pensamento do Espírito que coordena a tarefa, assim como do passista, de forma a impressionar positivamente os fluidos que serão doados ao paciente.
O fluido, em sua mais simples expressão, é chamado de fluido cósmico universal, que representa a simplificação máxima da matéria, que, manipulada pelo pensamento do Espírito, imprime- lhe variações de onde se originam os diversos tipos de elementos hoje conhecidos. (Veja questões 4 e 5)
  1. O que é transubstanciação?
Transubstanciação é o efeito de se alterar uma ou mais qualidades que caracterizam determinada substância.
No passe, quando se altera diversas características dos fluidos, afim de doá-los ao paciente, diz- se que os fluidos foram transubstanciados. (Veja questão 98)
  1. O que é fluido animal?
Fluido animal ou magnetismo animal é a parcela de energia vital doada pelo ser encarnado, passista, no momento do passe. Tal fluido é inerente apenas a seres encarnados, sendo uma das razões pelas quais que companheiros encarnados participam de tarefas aparentemente de cunho apenas espiritual, tal como reuniões de “desobsessão”. (Veja questões 2 e 114)
  1. O que é fluido vegetal?
Fluido energético exalado pelos seres vivos do reino vegetal. (Veja questão 2)
  1. O que é perispírito?
É o corpo intermediário entre o corpo físico e o Espírito, necessário à relação entre estes dois últimos. É o laço que liga o corpo ao Espírito. Nos processos de reencarnação, é o molde determinante das características do corpo físico do Espírito que renasce. (Veja questões 8 e 123)
  1. O que é duplo etérico?
O duplo etérico pode ser considerado um corpo físico menos denso, energético, de onde dimanam as doações fluídicas animais (fluido animal) que o passista realiza durante a tarefa do passe. (Veja questões 14, 15, 25, 26 e 123)
  1. O que é centro vital?
    Centro vital, ou centro de força, é um ponto de convergência de energias captadas pelo perispírito, posteriormente redistribuídas a todos os órgãos deste, assim como aos corpos “inferiores” , tais como o físico e o duplo.
Em geral estuda- se sete centros vitais, que se vinculam, no corpo físico, a sete importantes centros do organismo humano: centro genésico ou básico, situado próximo à região genésica; centro gástrico, situado próximo ao estômago; centro esplênico, situado próximo ao baço; centro cardíaco, situado próximo ao coração; centro laríngeo, situado próximo à laringe; centro frontal, situado entre os dois olhos e centro coronário, situado próximo à glândula pineal (ou epífise), no cérebro. (Veja questões 16 a 24)
  1. O que é receituário mediúnico?
É mensagem que um médium recebe por via mediúnica, geralmente pela psicografia, direcionada ao solicitante. A grosso modo, tais mensagens contêm orientações para tratamento ou uso de remédios homeopáticos.
Recomenda- se que toda e qualquer receita mediúnica seja analisada racionalmente, pois submeter- se às orientações recebidas é decisão que só cabe ao paciente, sendo portanto dele quaisquer responsabilidades posteriores. (Veja questões 62, 64, 88 e 91)
  1. O que é passe?
Passe é transmissão de fluidos de uma pessoa (encarnada ou não) a outra, ou a objetos.
O passista imprime aos fluidos doados, pelo pensamento, características positivas ou negativas conforme a sua vontade e o seu merecimento. (Veja questões 113 a 126)
  1. O que é a câmara do passe?
Local utilizado pela casa espírita para a tarefa do passe. (Veja questões 68 a 73)
  1. O que é sugestão mental?
Sugestão mental é o ato de incutir- se determinada idéia na mente de uma pessoa, que venha a se manifestar através de alterações comportamentais ou mesmo orgânicas.
Em geral, os processos de sugestão mental envolvem a influenciação de uma pessoa pelo conjunto de idéias de outra. No entanto, observamos também a existência da auto- sugestão, caso em que o próprio sugestionado cria idéias para si, passando então a se comportar como se tais idéias fossem verdade absoluta.
Os casos de falsa gravidez podem ser classificados como sendo de sugestão mental. (Veja questão 128)
  1. O que é placebo?
Substância sem efeito que uma pessoa absorve crendo que o efeito existe. É comum encontrarmos, em hospitais, pacientes tomando água pura pensando que estão tomando remédio. Neste caso, a água está sendo usada como placebo. (Veja questão 118)
  1. O que é aura?
    De forma geral, todo corpo emite energias. A emissão de tais energias se chama radiação.
Aura é o conjunto das radiações emitidas por determinado corpo, que o envolvem.
A grosso modo, podemos dizer que há duas auras bem características em cada indivíduo:a aura do perispírito, cuja composição varia em função das aquisições milenárias do Espírito, e a aura do duplo etérico, também conhecida como aura da saúde, cuja composição, forma e coloração apresentam considerável variação mesmo ao longo dos minutos, pois reflete, quase que imediatamente, as alterações psíquicas e orgânicas ocorridas no ser. (Veja questão 25)
  1. O que é fotografia Kirlian?
Método de sensibilização de uma chapa fotográfica através da radiação emitida pelo corpo duplo, ou duplo etérico. Muito utilizada para a realização de diagnósticos de saúde. (Veja questões 25 e 118)Passe
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